Geraldo Maia tem perfil singular na nova safra da música brasileira por se dedicar integralmente ao canto. Não gosta de compor, ao contrário de seus contemporâneos, e segue a linhagem dos grandes intérpretes da música brasileira, como Orlando Silva, Mário Reis e Francisco Alves. A estética musical de Geraldo, no entanto, é suave, desprendida da grande potência vocal que ele possui.
No repertório, busca canções inéditas de novos compositores, principalmente pernambucanos, e resgata temas do cancioneiro nacional. Recentemente foi destaque na trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro” (do diretor Guel Arraes), interpretando Deusa da Minha Rua ao lado do violonista Yamandu Costa.
Filho de pais portugueses, Geraldo José Brito Maia nasceu em 28 de maio de 1959, no Recife. Sociólogo por formação, dedica-se à carreira musical desde 1980. Naquele tempo, começou a realizar os primeiros shows, como “Coração de Pirata” (junto com o cantor e compositor Marco Pólo) e “À Noite Tem Mais Luzes”. A partir de 1983, participou do Projeto Pixinguinha e se tornou presença constante na cena musical recifense.
Baile do Menino Deus - A estréia fonográfica foi no disco coletivo “Baile do Menino Deus” (1983), lançado pela gravadora Eldorado, que é trilha sonora do espetáculo teatral baseado na tradição natalina dos pastoris do Nordeste. O sucesso do trabalho se confirma até hoje. O disco foi relançado em CD e a peça, depois de anos em cartaz, recebeu nova montagem em 2004, que contou com a presença do cantor.
Seguindo o êxito do “Baile”, Geraldo Maia também integrou o elenco de artistas nos discos “Pavão Misterioso” (1984), “Bandeira de São João” (1987) e “Arlequim” (1988). Todos estes projetos são de autoria de Zoca Madureira (violonista e compositor do movimento armorial), de Assis Lima e do escritor Ronaldo Brito (autor de Faca e Livros dos Homens).
No mesmo período, Geraldo Maia continuou se apresentando nos palcos recifenses, incluindo shows de abertura para artistas como Zizi Possi, Milton Nascimento, Beto Guedes e Cida Moreira, além de ter participado do Projeto Pixingão, no Rio de Janeiro.
Cena de Ciúme - Em 1987 gravou o LP 'Cena de Ciúme', em parceira com Henrique Macedo. A faixa-título do disco foi destaque nas rádios locais e o disco esgotou em pouco tempo. No ano seguinte, dedicou-se ao musical 'Brasil Sem Vergonha', dirigido por João Falcão (autor das peças teatrais Dona da História, Máquina e Cambaio).
Em 1990, o cantor se mudou para Portugal, onde morou por quase dez anos, cantando por todo o país. Nesta temporada fez excursão pela Europa, incluindo Alemanha, França, Inglaterra. “Naquele tempo, eu fazia parte de um grupo de artistas que havia esgotado todas as possibilidades no Recife. Então, desembarquei em Portugal numa fase de ótima empatia com a música brasileira, o que facilitou bastante minha integração. Quando voltei ao Recife, vi que a cidade havia melhorado muito culturalmente, como conseqüência, entre outros fatores, do movimento mangue”, afirma o cantor.
Discografia solo - De volta a Pernambuco, Geraldo Maia começou a investir em disco solo. O primeiro deles é o “Verd'água” (1999), também lançado em nova excursão pela Europa. O título é extraído de um poema de Carlos Pena Filho e o disco tem arranjos leves e poucos instrumentos (sobretudo violões, baixo, violoncelo e percussão), numa estética bem atemporal.
O repertório intercala canções inéditas de compositores pernambucanos como Zé Rocha, Carlos Mascarenhas e Henrique Macedo e peças assinadas por grandes composições da música brasileira, como “Rosa”, de Pixinguinha. Um dos grandes resgates é o choro-canção “Sejam Benvindos”, do mestre Cartola.
Dois anos depois veio o CD “Astrolábio”, que explora uma rica diversidade de arranjo e repertório. Além de continuar lançando novos compositores de Pernambuco, Geraldo também canta Lenine, José Miguel Wisnik, Tom Zé e Antônio Maria. As texturas sonoras abraçam tanto a tradição nordestina quanto a música eletrônica e a música de câmera. Lisbela e o Prisioneiro - Em 2003, o cantor interrompeu momentaneamente seus trabalhos individuais para integrar a produção da trilha sonora do filme “Lisbela e o Prisioneiro”, interpretando Deusa da Minha Rua, junto com Yamandu Costa em CD e no DVD que registra o show com os artistas que participam da trilha.
No ano seguinte, lançou seu terceiro disco solo “Samba do Mar Quebrado” (2004), em que Geraldo homenageia o principal gênero musical brasileiro, com sonoridades do Nordeste e de Portugal. Além dos autores locais, os sambas são assinados pelos gênios do forró Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. Há também temas pouco conhecidos de Nelson Gonçalves e Sinhô.
Seu atual projeto é realizar shows por capitais brasileiras, cuja temporada começou no Mistura Fina, no Rio de Janeiro, em junho de 2006. Dirigido pelo cineasta e diretor teatral João Falcão, o show ganhou a simpatia da crítica e do público carioca.
Profana e pura.mp3
De todas as gracas.mp3
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