O frevo do povo

Leonardo Dantas Silva

Não sei se devo, ou não devo

Dizer, mas digo afinal:

– Se até Roma fosse o Frevo,

Teria a Bênção Papal!

 

                                    Austro Costa

 

Como na velha estória do ovo e do pinto, não se sabe quem nasceu primeiro: o frevo como dança, que o pernambucano denomina de passo; ou como música, hoje dividida em frevo-de-rua (quando não existe letra, mas tão-somente a parte instrumental), frevo-canção (como uma parte instrumental no início e uma letra intercalando), frevo-de-bloco (composto especialmente para orquestras de pau e cordas dos blocos carnavalescos do Recife).

A influência dos desfiles militares, corporações profissionais e procissões religiosas se tornam patente nos cortejos dos clubes carnavalescos (clubes de frevo), desde a disposição das bandas de música, estandartes, símbolos, luxo, heráldica dos distintivos e até cordões de morcegos, lanceiros e mascarados.

Lembra F. A. Pereira da Costa (1851-1923), no seu Folk-Lore Pernambucano (1908), a importância do capoeira em tais desfiles, particularmente nos idos de 1856, quando existiam no Recife as bandas musicais do 4º Batalhão de Artilharia, chamado popularmente de Quarto, e a do Corpo da Guarda Nacional, esta conhecida por Espanha por ser seu maestro o espanhol Pedro Francisco Garrido.

O capoeira teria dado origem à coreografia do frevo – o passo –, enquanto a fusão do dobrado com a polca-marcha viriam a ser o embrião da música – o frevo.

Os capoeiras continuaram por muitos anos a acompanhar as bandas de música do Recife – “Matias Lima”, “Afogadense”, “Charanga do Recife” –, segundo comenta Mário Sette, in Maxambombas e Maracatus  (1938).

 

Saísse uma música para uma parada ou uma festa e lá estariam infalíveis os capoeiras à frente, gingando, piruetando, manobrando cacetes e exibindo navalhas. Faziam passos complicados (grifo nosso), dirigiam pilhérias, soltavam assovios agudíssimos, iam de provocação em provocação até que o rolo explodia correndo sangue muito e ficando defuntos na rua.

 

O FREVO DE PERNAMBUCO

 

Não há o que discutir, nisso estão concordes todos os pesquisadores, foi no Recife que o frevo – dança e música – surgiu, criou raízes, consolidou-se nos fins do século XIX e início do século XX, muito embora continue ainda nos nossos dias, em permanente evolução musical e coreográfica.

O primeiro registro do vocábulo frevo na imprensa do Recife é revelado pelo pesquisador Evandro Rabello, in Diario de Pernambuco, 11 de fevereiro de 1990, citando a edição do Jornal Pequeno (Recife), sábado de carnaval 9 de fevereiro de 1907, ao anunciar o repertório do Clube  Empalhadores do Feitosa, nomeia uma das marchas do seu repertório com o título O Frevo.

Anos depois, em sua edição de 22 de fevereiro de 1909, o Jornal Pequeno traz na sua primeira página uma interessante gravura com a frase Olha o Frevo, anunciando os festejos carnavalescos daquele ano.

Denominado inicialmente de “marcha”, e posteriormente, de “marcha-carnavalesca-pernambucana” e por alguns compositores até os  nosso dias de “marcha-frevo”, a exemplo de Levino Ferreira e Edgard Moraes, o frevo com música tem suas origens nos repertórios das bandas militares e civis existentes no Recife na segunda metade do século XIX: o maxixe, o tango brasileiro, a quadrilha e, mais particularmente, o dobrado e a polca, combinaram-se, fundiram-se dando como resultado o frevo, ritmo popular ainda hoje em franca evolução rítmica e coreográfica.

As marchas executadas possuíam letras, em sua grande maioria, sendo cantadas com grande entusiasmo pela multidão em delírio, que passava pulando no coice da banda de música ou no cortejo dos clubes carnavalescos. A marcha-carnavalesca pernambucana, apesar da grande influência do teatro nas apresentações dos clubes pedestres, foi tomando espaço de maneira que cada entidade carnavalesca viesse a dispor do seu próprio repertório.

Algumas dessas marchas chegaram aos nossos dias, sendo ainda hoje executadas em nosso carnaval, a exemplo de Violenta (Zeferino Bandeira e Caetano Galhardo), Regresso (Manuel Guimarães), Gonçalves Maia (Zeferino Bandeira), Mulher não me aperreia ! (Sérgio Sobreira), todas do Clube das Pás; A Província  (Juvenal Brasil), Marcha nº1 dos Lenhadores (Juvenal Brasil), do Clube Lenhadores;  Toureiros em Folia  (Nino Galvão), do Clube Toureiros de Santo Antônio; Fogão  (Sérgio Lisboa), Recordação (Antônio Sapateiro), Fuxico (Antônio Sapateiro), do Clube Pão Duro;  Diva  (Washington Barbosa), do Clube Pão da Tarde; Yvone (Leonardo Chapron), do Clube Prato Misterioso; Eugênia  (Manuel Guimarães)  e a nacionalmente conhecida  Marcha nº1 dos Vassourinhas, composta por Matias da Rocha e Joana Batista em 6 de janeiro de 1909, do arquivo do Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife, que, como diversas outras marchas, foram produzidas com letras para serem cantadas pela multidão por ocasião das saídas e apresentações outras.

           

 

Se essa rua fosse minha                                   (bis)

Eu mandava ladrilhar

Com pedrinhas de brilhante

Pra Vassourinhas passar

 

DO CAPOEIRA AO PASSISTA

 

Com o advento da Abolição da Escravatura Negra (1888) e a Proclamação da República (1889), surgiram os clubes carnavalescos, com todos os elementos integrantes dos desfiles militares acrescido da influência das procissões religiosas; como é o caso do estandarte, uma cópia dos pendões das corporações profissionais, das irmandades e confrarias, hoje símbolo quase da maior parte das agremiações carnavalescas.

Oriundo de grupos profissionais de operários urbanos, os Clubes Carnavalescos Vassourinhas (1889), das Pás (1890), Lenhadores (1897), Pão Duro (1916), Toureiros de Santo Antônio (1916), Prato Misterioso (1919), além de outros mais recentes, chegaram até os nossos dias. Outros, porém, como Caiadores, Empalhadores, Operários, Jornaleiros, Suineiros, Quitandeiras, não mais existem.

As rivalidades entre as agremiações sempre foram uma constante no carnaval de Pernambuco. Com tal clima e elementos, os capoeiras, “brabos” e  “valentões” passaram a praticar “exercícios de capoeiragem” em frente aos cordões carnavalescos; conforme noticia o jornal A Pimenta (1901). Tais exibições de capoeiragem, quando nada, redundavam em agressões, como a narrada pelo Jornal Pequeno, de fevereiro de 1907, em que foi vítima o diretor do Clube Carnavalesco Tome Farofa.

Procurando esconder-se das perseguições dos Chefes de Polícia, o nosso capoeira foi maneirando os seus passos – “rabos de arraia”, “pernadas”, “cabeçadas”, “pisões”, etc – criando assim uma coreografia própria de modo a acompanhar a “onda”. Nesta coreografia, onde não foi desprezada totalmente a agressividade, foram aparecendo passos que, por determinadas semelhanças, passaram a possuir denominações próprias.

Ao contrário de outras danças de então, com os seus dançarinos sempre a se apresentarem em círculo, o frevo veio a se constituir num movimento único de toda uma massa em desfile, trazendo os passistas numa só onda, a invadir as ruas como se fizessem parte de um mesmo rio caudaloso que, de repente, resolvesse arrastar com as suas águas revoltas tudo que encontrasse no seu novo leito.

 

O capoeira de ontem originou o passista de hoje:

 

Camisa multicolorida, aberta no peito e amarrada na cintura, ou ainda camisa de malha com três cores; sapato tênis branco; bermuda ou calça arregaçada; chapéu de palha e um  “chapéu-de-sol” desbotado a complementar a indumentária. Três goles de cachaça, um “frevo rasgado” oriundo de uma fanfarra, bastam para transmudar esse homem num demônio, que até parece ter  o “diabo no couro”, tal o número de complicados passos que passa a fazer.

 

A exemplo de seus ancestrais, o nosso passista traz quase sempre um chapéu-de-sol na mão, alguns até sem pano (“sombrinhas borboletas”), como um remanescente do cacete ou da bengala dos tempos idos.

Quando nos cordões dos clubes ou troças, os passistas envergam um bastão encimado pelo distintivo da agremiação – machado, vassouras, pás, prato, ave, bacia, etc. – dependendo pertencer ele ao Lenhadores, Vassourinhas, Pás Douradas, Prato Misterioso, Papagaio Falador ou Lavadeiras de Areias. Mas nos cordões o “passo rasgado” é raro, a coreografia obedece mais a uma evolução não dando margem a grandes criações; estas ficam por conta dos grupos e passistas, alguns especialmente contratados, que acompanham a agremiação.

Os passistas modernos, geralmente formando uma ala especial nas grandes agremiações, passaram a usar sombrinhas coloridas de 50 centímetros de comprimento por 60 de diâmetro, a fim de facilitar passos que são verdadeiras acrobacias: “Vôo de andorinha”, “tesoura no ar”, “coice de burro”, “tesoura cruzando”, “canguru”, “tesoura passando a sombrinha”, “trem de ferro”, entre outros.

Os chamados “Concursos de Passo”, desenvolvido pelos jornais e posteriormente pelas emissoras de rádio e televisão, vieram incentivar a criatividade dos passistas. Assim despontaram, chegando a fazer escola, Egídio Bezerra, hoje falecido, mas em sua época conhecido como o “Rei do Passo”, “Sete Molas”, “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), “Coruja”, (Arnaldo Francisco das Neves), que vieram a ser professores de “Pipoca”, Antúlio Madureira, “Meia-Noite” e tantos outros representantes da nova geração de passistas.

Da observação da vida, o passista cria os nomes dos seus passos: “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chã de bundinha”, “carrocel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”,  “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (referência à Praça da Independência, popularmente conhecida  por Pracinha do Diario, chamada  no passado de  “Quartel-General do Frevo”), “encaracolado”,  “plantando mandioca”, “parafuso” e uma infinidade de outros que variam segundo os seus executantes.

 

 

OS MUITOS FREVOS

 

Nos anos trinta do século XX convencionou-se dividir o frevo em FREVO-DE-RUA (quando puramente instrumental), FREVO-CANÇÃO, (este derivado da ária, tem uma introdução orquestral e andamento melódico, típico dos frevos- de-rua) e o FREVO-DE-BLOCO.

Este último executado por orquestra de madeiras e cordas (pau e cordas, como são popularmente conhecidas), é  chamado pelos compositores mais tradicionais de Marcha-de-Bloco (Edgard Moraes, falecido em 1975), sendo característica dos “Blocos Carnavalescos Mistos” do Recife. Este folguedo  carnavalesco, originado dos ranchos de reis e do pastoril, sai nos dias de carnaval com orquestra formada por violões, violinos, cavaquinhos, banjos, clarinetes, contrabaixos, percussão; aparecendo nos dias atuais alguns metais (saxofones, bombardino e trompetes) em face da necessidade de se fazer ouvir a orquestra, indispensável no acompanhamento do coro.

No Frevo de Bloco está a melhor parte da poesia do carnaval pernambucano, diante do misto da saudade e evocação que contém nas letras e nas melodias de grande parte de suas estrofes. Como Evocação (1957) de Nelson Ferreira (1902-1976):

 

Felinto, Pedro Salgado,

Guilherme, Fenelon

Cadê teus blocos famosos?

Bloco das Flores,

Andaluzas, Pirilampos, Apôis Fum!

Dos carnavais saudosos?!

Como o frevo-de-bloco, o frevo-canção também possui letra que vem logo em seguida à introdução orquestral. Tão velho quanto o frevo-de-rua, como já vimos anteriormente, o frevo-canção é responsável pela grande animação dos salões e das multidões que acompanham as Freviocas durante os quatro, cinco e até dez dias do carnaval pernambucano. Os motivos das  letras são os mais diversos, inclusive a própria animação do frevo, como bem cantava Luiz Bandeira e Ernani Séve:

 

Êta frevo, bom danado!

Êta povo, animado!

Quando o frevo começa,

parece que o mundo já vai se acabar

Êh!

Quem cai no passo não quer mais parar.

 

O frevo-de-rua, muito embora  seja uma  constante em todos os salões durante os dias de carnaval, foi feito principalmente para ser executado a céu aberto. Na rua, como a sua denominação está a exigir. Sua base melódica é responsável pela coreografia do passo e pela movimentação das multidões, não só do Recife,  de Olinda e outras cidades de todo o Nordeste.

O frevo-de-rua é composto de uma introdução de 16 compassos seguindo-se da chamada “resposta”, de igual número de compassos, que por sua vez antecede a segunda parte, que nem sempre é uma repetição da introdução.

Divide-se o frevo-de-rua, segundo terminologia usada entre músicos e compositores, em frevo-de-abafo (chamado também frevo-de-encontro) onde predominam as notas longas tocadas pelos metais, com a finalidade de diminuir a sonoridade (abafar) da orquestra do clube rival; frevo-coqueiro, uma variante do primeiro formado por notas curtas e agudas, andamento rápido, distanciando-se, pela altura, do pentagrama; o frevo-ventania é de uma linha melódica bem movimentada, na qual predominam as palhetas na execução das semicolcheias, ficando numa tonalidade intermediária entre o grave e o agudo; o quarto tipo, no qual trabalham  os novos compositores, é o chamado frevo-de-salão, com suas execuções em estilo por vezes inspirado no jazz, muito embora seja um  misto dos demais. Como está a dizer a sua denominação, o frevo-de-salão, a exemplo do frevo-ventania, é executado única e exclusivamente nos salões, por explorar muito pouco os metais da orquestra, em favor da predominância das palhetas.

Da sua multiplicidade se constitui o Carnaval Pernambucano.

Leonardo Dantas Silva é escritor e pesquisador de cultura popular.

Frevo of the People
By Leonardo Dantas Silva

(By Leonardo Dantas Silva)
Não sei se devo, ou não devo
Dizer, mas digo afinal:
– Se até Roma fosse o Frevo,
Teria a Bênção Papal!
                                    Austro Costa

As in the old tale of the egg and the chick, there is no way to know which one was born first: the Frevo as dance, which the people from Pernambuco used calling passo; or as music, today split in frevo-de-rua (instrumental music), frevo-canção (that begins as instrumental music but also brings lyrics), frevo-de-bloco (made specially by wood-wind and acoustic string orchestras from the Recife Carnival).

The influence of military parades, professional corporations and religion processions became obvious in the carnival clubs, also called Frevo Clubs or Clubes de Frevo, processions. From the dispositions of bands, the flags, the symbols, the luxury, the blazon and to characters as cordões de morcegos, lanceiros e mascarados (masquerades).

F. A. Pereira da Costa (1851-1923) in his Folk-Lore Pernambucano (1908) explains about he importance of the capoeira (a Brazilian self-defense art) in such parades, specially in 1856, when musical bands from the 4th Artillary Batallion, also known as Quarto (Fourth), and from the National Guard, also called Espanha (Spain) because of its Spanish maestro, Pedro Francisco Garrido.

Capoeira probably originated frevo choreography – called passo –, while the fusion of dobrado with polka-march would become the embryo of the music – the frevo.

Capoeira dancers, known as capoeiras, continued for many years following the music bands from Recife – “Matias Lima”, “Afogadense”, “Charanga do Recife” –, according to  Mário Sette, in Maxambombas e Maracatus  (1938).

If a tune was played for a parade or party, there, in the front of it, would be the infallible capoeiras, swaying, throwing pirouettes, driving clubs and showing razors. They danced complicated passos, throwing jokes, blowing high whistles, laughing through provocations until the things blow and the blood flood and the dead bodies stood on the street.

FREVO FROM PERNAMBUCO
There is no discussion about it, all the researchers agree that was in Recife that Frevo – both dance and music – was born, grown and strengthen, in the late 19th century and in the beginning of the 20th, even though it still presents a constant musical and choreographic evolution nowadays.

The first written register of the word frevo in Recife press was revealed by the researcher Evandro Rabello, in Diario de Pernambuco, 11 February of 1990,     quoting the edition of the Jornal Pequeno (Recife), on a Carnival Saturday dating from 9 February of 1907, announcing the set list for the Clube Empalhadores do Feitosa, and saying that one of the song titles was O Frevo.

Years later, in the 22 February of 1909 edition, the Jornal Pequeno brought on its front page an interesting image with the sentence Olha o Frevo (Watch out for Frevo), announcing that year Carnival celebration.  

Initially called “march”, and later, “Pernambuco-Carnival-march” and, even now by contemporary composers,  such as Levino Ferreira and Edgard Moraes, “marcha-frevo”, frevo  as music came from the set list of the military and civil bands around Recife. In the second half of the 19th century: the maxixe, the Brazilian tango, the square dance and, more particularly, the dobrado and the polka, combined and merged  resulting in frevo, a popular cadence that is still evolving in rhythm and choreographic.

The march had lyrics, and most of them, was enthusiastically sang by a delirious crowd, that passed by jumping to the sound of the music band or to the procession of Carnival Clubs. Although the marcha-carnavalesca was influenced by street theater presentations, it gained ground to the point of every carnival association or club having its own set list.

Some of those marches made it to nowadays, and are still being executed in our Carnival, such as Violenta (by Zeferino Bandeira and Caetano Galhardo), Regresso (Manuel Guimarães), Gonçalves Maia (Zeferino Bandeira), Mulher não me aperreia ! (Sérgio Sobreira), all Clube das Pás set list; A Província  (Juvenal Brasil), Marcha nº1 dos Lenhadores (Juvenal Brasil), from Clube Lenhadores;  Toureiros em Folia  (Nino Galvão), from Clube Toureiros de Santo Antônio; Fogão  (Sérgio Lisboa), Recordação (Antônio Sapateiro), Fuxico (Antônio Sapateiro), from Clube Pão Duro;  Diva  (Washington Barbosa), from Clube Pão da Tarde; Yvone (Leonardo Chapron), from Clube Prato Misterioso; Eugênia  (Manuel Guimarães) and the nationwide famous Marcha nº1 dos Vassourinhas, composed by Matias da Rocha and Joana Batista on January, 6  1909, from the files of Clube Carnavalesco Misto Vassourinhas do Recife, which, as other marches, were produced to be sung by the crowd in the occasion of the beginning of the parades or other presentations.
Se essa rua fosse minha            (bis)
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas de brilhante
Pra Vassourinhas passar

FROM  CAPOEIRA TO PASSISTA
On the occasion of the Afro-descendents Slavery Abolition (1888) and the Republic Proclamation (1889), the Carnival Clubs arose with all the elements of a military parade under the influence of religious processions; that was found to be the case of banners, copies of professional corporations and brotherhoods flags, which today are the symbols of most part of the Carnival associations.

Carnival clubs originated from groups of urban workers such as Vassourinhas (1889), das Pás (1890), Lenhadores (1897), Pão Duro (1916), Toureiros de Santo Antônio (1916), Prato Misterioso (1919), besides some new ones, got through time until nowadays. However, other clubs like Caiadores, Empalhadores, Operários, Jornaleiros, Suineiros, Quitandeiras, are no longer active.

The rivalry among clubs has always existed in Pernambuco Carnival. Under the influence of such environment, the capoeiras, “bullies” and “tough guys” started practicing “capoeira exercises ” in front of the Carnival parades as reported in A Pimenta (1901). Such capoeira exhibitions always ended up in aggressions, as described in another publication called Jornal Pequeno, dating from February 1907, in which the director of the Carnival Club Tome Farofa was injured.
In order to escape from the Police pursuit, our capoeira started to get ease on the moves (passos) – such as “rabos de arraia”, “pernadas”, “cabeçadas”, “pisões” etc – thus creating its own choreography so as to keep up with the hype. In this choreography, in which the aggressiveness was not discarded completely, new passos were created, and according to its similarities started gaining a unique denomination.

In opposition to other dances of that time, in which the dancers always performed in a circle,  frevo was a single movement of the whole crowd, bringing the dancers, called passistas, in a single wave, washing out streets as a torrential river that, suddenly, resolved to wipe away everything on its way.

Yesterday’s capoeira became today’s passista:

Multicolored shirt, open up in the chest and tied up at the waist, or also a three color t-shirt; white slippers; shorts or rolled up pants; a straw hat or a faded sun hat completed the outfit. Three gulps of cachaça, a “frevo rasgado” that came from a brass band, are enough to change this man into a demon, until it seemed that he had become the devil incarnated, such were the number of complicated steps he could dance.

Like his ancestors, our passista holds almost always a sun hat in hand, some of them are “sombrinhas borboletas”, like a reminiscent club or a cane from the old times.

Within the groups or troças or club associations, the passista holds a cane with a flag – machado, vassouras, pás, prato, ave, bacia, (axe, brooms, shovels, plates, birds, washbasin) etc. – according to its owner symbology - Lenhadores, Vassourinhas, Pás Douradas, Prato Misterioso, Papagaio Falador or Lavadeiras de Areias. But inside this area, the passo rasgado (that delirious way of dancing frevo) is something rare and the choreography often obeys an evolution that do not stand creativity; those are for the benefit of groups and passistas (dancers), some of them specially hired  to follow the club.
The modern passistas, generally forming a special aisle in the great associations, started using little colorful umbrellas with 50 centimeters length and 60 centimeters of diameter, in order to make easy performing dance moves or passos that were truly acrobatic. They are usually called: “Vôo de andorinha”, “tesoura no ar”, “coice de burro”, “tesoura cruzando”, “canguru”, “tesoura passando a sombrinha”, “trem de ferro”.

The passos festivals, called “Concursos de Passo”, shaped by the newspapers and later by the radio and TV stations, helped increase the dancers creativity. That way, some of them got more attention than others, and a school was created. Names like the late Egídio Bezerra, known as The King of Passo (Rei do Passo), “Sete Molas”, “Nascimento do Passo” (Francisco Nascimento Filho), “Coruja”, (Arnaldo Francisco das Neves) became that school teachers. Among their pupils were “Pipoca”, Antúlio Madureira, “Meia-Noite” and so many others stars of a new generation of passistas.

From the simple life observation, the passista creates common names for his moves (passos): “saca-rolha”, “canguru”, “tesoura”, “locomotiva”, “chã de bundinha”, “carrocel”, “pisando em brasa”, “urubu baleado”,  “é de bandinha que eu vou”, “ferrolho”, “tramela”, “passeando na Pracinha” (a reference to the Praça da Independência -Independency Square -, popularly known as Pracinha do Diario - Diario Little Square - also called in the past Quartel-General do Frevo or Frevo Headquarters), “encaracolado”,  “plantando mandioca”, “parafuso” and so many others that vary according to its dancers.

THE VARIOUS FREVOS
In 30's, already in the 20th century, a division of the frevo was stipulated: FREVO-DE-RUA (purely instrumental), FREVO-CANÇÃO, (that like an opera, having an orchestral introduction and a melodic tempo, typical from frevos- de-rua) and FREVO-DE-BLOCO.

This last one is performed by wood-wind and acoustic string orchestras (pau e cordas, as they are popularly know), and it is called by more traditional composers as Marcha-de-Bloco (Edgard Moraes, died in 1975), a characteristic “Blocos Carnavalescos Mistos” from Recife. A recreation that put a very folkloric celebration – from ranchos de reis and pastoril – inside the parades made during the Carnival days with an orchestra formed by acoustic guitars, violins, cavaquinhos (ukulele), banjos, clarinets, upright bass, percussion; and also some other from the horn section, as saxophones, tuba and trumpet, that was just incorporated nowadays in order to make the orchestra audible, something indispensable to choir accompaniment.

Within Frevo de Bloco lies the best part of the Pernambuco Carnival poetry, because of the mixing of evocation and homage to the past found in the lyrics and melodies in most of the chorus. As Evocação (1957), by Nelson Ferreira (1902-1976):

Felinto, Pedro Salgado,
Guilherme, Fenelon
Cadê teus blocos famosos?
Bloco das Flores,
Andaluzas, Pirilampos, Apôis Fum!
Dos carnavais saudosos?!

As the frevo-de-bloco, the frevo-canção also starts with an orchestral introduction, followed by the lyrics. As old as the frevo-de-rua, as shown before, the frevo-canção is responsible for the great agitation of the ball rooms and the crowds following the Freviocas during four, five and even ten days of the Carnival celebration in Pernambuco. The meaning of the lyrics, including the reason itself for the frevo, was beautifully sung by Luiz Bandeira and Ernani Séve:

Êta frevo, bom danado!
Êta povo, animado!
Quando o frevo começa,
parece que o mundo já vai se acabar
Êh!
Quem cai no passo não quer mais parar.

Although the frevo-de-rua is constantly played during Carnival balls, it was made for being performed outside the clubs, outdoors. On the streets as its name demands (the literal translation to frevo-de-rua is street-frevo). Its melodic base is responsible for the choreography of the moves (passos) and for the movement of the crowds, not only in Recife, but also in Olinda and among other Northeastern cities.

The frevo-de-rua is formed by an introduction of 16 measures followed by a reply, which is a repetition of the same numbers of compasses. Those, come before the second part, which is not always a repetition of the introduction.  

The frevo-de-rua is divided, according to the terminology used among musicians and composers, in frevo-de-abafo (also called frevo-de-encontro) where the long notes played by brasses predominate, aiming to decrease (oppress or abafar, in Portuguese) the sonority of the other rival orchestra; frevo-coqueiro, is a variation of the frevo-de-rua but with short and high notes, fast tempo, getting away, by height, from the score; the frevo-ventania melodic line with a lot of movement, in which the wood-wind predominate in the execution of 16th note ,  reaching a intermediary tonality between high and low; the fourth type, the one that includes the news composers, is called frevo-de-salão, with its style executions sometimes inspired by jazz, although it is actually a mix of all the others. As its denomination suggests, the frevo-de-salão, as well as the frevo-ventania, is performed exclusively in the ballrooms, because instead of brasses, this orchestra is formed by wood-wings.
The Carnival in Pernambuco is made of its multiplicity.

Leonardo Dantas Silva - Writer and researcher

 

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