década de 2000

A influência da internet na distribuição de música e o acesso a plataformas digitais de produção provocou uma grande mudança no cenário musical. É nele que a música pernambucana se desenvolve nos anos 2000. Longe da explosão musical da década anterior, a movimentação não é mais tida como a "grande novidade", tendo sido integrada ao perfil cultural do Estado. Surgido em Recife no ano de 2002, o coletivo Re:combo encarnou bem o espírito do colaboracionismo possibilitado pelas novas tecnologias integradas à criação artística. Mais do que uma banda, tratava-se de um projeto multimídia que agregava músicos, artistas plásticos, designers, programadores, DJs e profissionais de vídeo. O Re:combo foi um dos pioneiros na discussão sobre cultura livre e a questão dos direitos autorais diante desses novos contextos. Trata-se de uma criação coletiva e aberta, sujeita a sofrer interferências e ser reutilizada. O projeto foi encerrado no início de 2008, enxergando a circulação ampla de conceitos como Creative Commons e copyleft como o início de um novo ciclo. Dentro desta lógica de conteúdo aberto, o disco de estréia do Mombojó, Nadadenovo, foi lançado em 2004 em CD e , no site da banda, em formato MP3, para download gratuito. A banda, surgida em 2001, faz parte de uma nova geração da manguebeat, tendo elementos de samba e pós-rock mais presentes, com grande influência do Mundo Livre S.A. Mombojó está entre os principais nomes da cena pop do Recife na década de 2000. Outra banda importante deste começo de século é o Cordel do Fogo Encantado. Surgida em Arcoverde no final da década anterior, ganhou muito destaque com seus shows intensos e o carisma teatral do vocalista Lirinha. A música se vale de elementos de poetas e cantadores do sertão misturados a um forte trabalho percussivo. Em 2001, o disco de estréia é lançado com boa acolhida da crítica e angariando um público fiel. O trabalho contou com a produção de Naná Vasconcelos, de volta  à sua terra natal e bastante atuante na música local. Bandas como Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. se tornaram nomes consagrados. A primeira, inclusive mencionada como a melhor banda do país, teve seus discos reunidos em uma caixa em edição especial que ainda contava com um DVD com a produção audiovisual. Com o mangue estabelecido, surgiu uma leva de bandas cujo som ia contra esta tendência. Em vez dos regionalismos, as bandas admitiam abertamente suas influências estrangeiras e roqueiras de várias épocas. Se uma relação pode ser feita entre as chamadas bandas indies e a primeira geração do movimento mangue, ela reside na pluralidade de referências e no estar inteirado no que acontece mundo afora. Houve um momento em que ser mangue e regional parecia significar estar fechado em si mesmo, e foi, talvez, como reação a isto que essa nova cena surgiu. Outro reflexo das mudanças acontecidas no mercado musical foi o surgimento indiscriminado das carrocinhas para venda de CDs, os chamados "piratas". A despeito de todas as implicações legais suscitadas por esta atividade, uma vertente mais popular da música na cidade soube se utilizar destes meios para atingir o público. As chamadas bandas de brega invadiram programas de TV locais e as casas de shows da periferia, fazendo surgir artistas na mesma velocidade em que desaparecem. Alguns, como Conde do Brega e Kelvis Duran, atingiram o status de cult para boa parte da classe-média levada por uma cultura trash massificada. A década também viu mais uma tentativa de revitalizar o frevo. Que voltou a ser gravado e ouvido, predominantemente como música carnavalesca. Vale destacar os trabalhos da Spok Frevo Orquestra e da Orquestra Popular da Bomba do Hemetério. A primeira foi responsável por aproximar o ritmo dos ouvintes de uma música instrumental com tons jazzísticos e sofisticados. A segunda tem um caráter mais pop, conseguindo levar o frevo para uma platéia mais jovem. Em 2007, foi comemorado o centenário do frevo, em referência à  primeira publicação do termo que daria nome ao ritmo. Naquele ano, no dia 9 de fevereiro, agora oficialmente conhecido como Dia do Frevo, o Instituto do Patrimônio Artístico e Histórico Nacional concedeu o título de Patrimônio Cultural Imaterial ao ritmo pernambucano.

década de 1990

O 1º Manifesto do Movimento Mangue Bit foi publicado e distribuído para a imprensa, em 1991. Aos poucos, o movimento arquitetado por Fred 04, Chico Science, Renato L e companhia ganhava espaço no cenário cultural. No ano anterior, Câmbio Negro H.C. lançara o primeiro disco, Espelho dos Deuses, com o selo da Rock Xpress, uma das muitas lojas alternativas surgidas na época. Foi no dia 25 de abril de 1993 que a nova cena musical pernambucana ganharia espaço e surgiria para um público, a partir de então, cada vez maior. Naquele dia, o Circo Maluco Beleza foi palco da primeira edição do Abril Pro Rock, que se tornaria um dos festivais mais importantes daquele segmento no país. Participaram daquela edição doze bandas da região metropolitana do Recife e o Maracatu Nação Pernambuco. O evento chamou atenção da imprensa especializada do Brasil. Pouco tempo depois, as duas bandas mais importantes da cena, Mundo Livre S. A. e Chico Science & Nação Zumbi, faziam uma turnê pelo Sudeste. Em 1994, é lançado o disco Da Lama ao Caos, de Chico Science & Nação Zumbi, com boa acolhida da crítica. O álbum chegou a circular bem pelo Recife. No ano seguinte a banda fazia sua primeira turnê internacional com shows nos Estados Unidos e Europa. No mesmo ano de 1995 é lançado o primeiro disco do Mundo Livre S.A., Samba Esquema Noise, também com boa recepção entre a crítica. Produzido pelo baterista dos Titãs, Charles Gavin, e pelo produtor Carlos Eduardo Miranda, grandes entusiastas da cena pernambucana, o disco conta com uma enorme lista de participações especiais, reflexo do hype em torno do manguebeat. Chico Science & Nação Zumbi e Mundo Livre S.A. lançaram seus segundos discos em 1996 Afrocibederlia e Güentando a Ôia, respectivamente. Ambos tiveram boa acolhida da crítica. A partir daí, Chico Science passava a ser reconhecido como um nome importante na música brasileira e se tornava um popstar em sua terra natal. No mesmo ano, é lançado o trabalho de estréia do Mestre Ambrósio, com produção de Lenine. A propósito, o cantor e compositor, lançara seu segundo disco, Olho de Peixe, parceria com o percussionista Marco Suzano, em 1993. Seu primeiro trabalho solo, O Dia em que Faremos Contato foi lançado em 1997. A cena cultural do Alto José do Pinho ganhou destaque nacional junto com a repercussão das bandas de manguebeat. Devotos do Ódio se tornara uma das bandas mais importantes da cidade. Agora Tá Valendo, primeiro disco do grupo, foi lançado em 1997, quase uma década depois da formção do grupo. Do Alto também saiu Faces do Suburbio, grupo de rap que lançou disco no mesmo ano. A década ainda trouxe discos de bandas como Eddie (Sonic Mambo, 1999); Querosene Jacaré (Você não sabe da missa um terço, 1998); Coração Tribal (1997); Cascabulho (Fome da dor de cabeça, 1998); Sheik Tosado (Som de Caráter Urbano e de Salão, 1999). Reflexo da grande quantidade de bandas que surgiam na cidade. Além disso, foi através dessa geração que nomes pouco divulgados da cultura popular conseguiram destaque, tais como Dona Selma do Coco, Mestre Salustiano e Lia de Itamaracá. O frevo, que no início da década fora relegado a segundo plano, quando carnaval pernambucano assistia a uma invasão da nova música baiana, batizada de axé music, chegou ao final da década com um feito importante.  Parte do acervo de discos de frevo  da gravadora Rozenblit foi relançado em uma série popular de CDs pela Polydisc, em 1998. O lançamento chega à marca de 50 mil cópias vendidas, algo que não acontecia nem nos tempos áureos da década de 1950. Pernambuco foi considerado um pólo cultural importante nos anos de 1990. Então veio o baque. No dia 2 de fevereiro de 1997 morria Chico Science em um acidente de carro. Mas, agora com a força e o peso de um ídolo, a cena musical continuou movimentada, pronta para novas transformações.

década de 1980

A década começa com a decretação de falência da Fábrica de Discos Rozenblit. Afundada em dívidas, a empresaria encerraria definitivamente suas atividades em 1986. Esse fato servia de reflexo para o marasmo da cena musical naqueles anos. Boa parte dos artistas surgidos nos anos anteriores ou tocava suas carreiras nacionais longe da capital pernambucana, ou faziam trabalho de pouca repercussão. Zé da Flauta e Paulo Rafael lançaram em 1980 o disco Caruá, encerrando o ciclo que começara na década anterior. Lenine, ao lado de Lula Queiroga, gravou seu primeiro disco, Baque Solto. O trabalho teve tão pouca repercussão, que Lenine só voltaria com um novo disco dez anos mais tarde. A importância do álbum está no uso ostensivo da percussão do maracatu, anos antes da manguebeat. Alceu Valença, Geraldo Azevedo e Zé Ramalho haviam entrado para o grupo de grandes estrelas da MPB. O maior sucesso da carreira de Carlos Fernando veio em 1985 com a música "Banho de Cheiro", na voz de Elba Ramalho. No Recife, ele ainda insistia com a série revitalizadora do frevo, Asas da América. No mais, a década resultou em um hiato, uma espécie de preparação para a grande explosão pop que se viu nos anos de 1990. A moda da new wave e o BRock, não teve nenhum desdobramento fora do eixo Rio-São Paulo. Apoiados na grande mídia de alcance nacional, grupos do Sudeste estouraram em todo o país, faziam shows disputados em grandes capitais, mas que nunca resultou no surgimento de artistas locais. Com isso, o Recife e a região metropolitana viram surgir e se fortalecer uma cena underground, formada principalmente pelos fãs do metal. Em 1986, o Beco da Fome se tornara no ponto de convergência dos headbangers recifenses, que se reuniam lá e criavam uma importante rede, fazendo circular os novidades do metal estrangeiro e também a produção local. Bandas como Cérebro, Euthanasia, Putrefação, The Ax, Realidade Encoberta, Decadência Humana, Dark Fate, Arame Farpado, Photofobia fizeram do Recife o centro metaleiro do Nordeste. Os shows quase sempre aconteciam em Centros Sociais Urbanos de bairros distantes da periferia. Em 1985, surge a banda Egoesmo, que deu início ao movimento de bandas de punk e hardcore no Alto José do Pinho. Pela Egoesmo passaram os integrantes da Devotos do Ódio, que seria formada em 1988. Entre as bandas de hardcore surgidas no Recife nos anos de 1980, a mais cultuada e que tinha o maior público era a Câmbio Negro H.C., da qual Fred 04 havia sido um dos integrantes. Trapaça era o nome da primeira banda de 04, que fazia parte do mesmo movimento punk. Com o fim da banda, outras bandas surgiram ainda ligadas ao punk e ao hardcore. Foi em 1984, que Fred se juntou aos irmãos Fábio e Tony para formar uma banda que juntava a atitude punk com um som mais pop, bebendo da fonte de Jorge Ben. E assim surgia a Mundo Livre S.A., que faria história na década seguinte. Em 1985, foi fundada a Academia Arteviva, que já no ano seguinte virava Espaço Cultural Arteviva, abrindo espaço para as novas bandas de rock que surgiam na cidade. A dona do estabelecimento, Lurdes Rossiter, ficou conhecida pelos músicos como a “Bruxa do Rock”. Os shows eram realizados em uma espécie de happy-hour. Bandas como NDR, que depois daria origem a Paulo Francis Vai Pro Céu, e Orla Orbe, embrião do Nação Zumbi, fizeram por lá seus primeiros shows.

década de 1970

Vários artistas surgidos nos anos anteriores migrariam para o Sudeste já no início da década. Alguns, como Teca Calazans e Naná Vasconcelos, seguiram pouco tempo depois para o exterior. Outros se fixariam no Rio de Janeiro e tentariam engatar a carreira, caso de Geraldo Azevedo, Alceu Valença e Carlos Fernando. A ditadura passava por seu período mais pesado, refletindo nas prisões de Azevedo e Carlos Fernando. Mas já em 1972, a Geraldo Azevedo e Alceu Valença lançam um disco em parceria. O trabalho foi feito com muita dificuldade, utilizando os horários ociosos do estúdio da gravadora Copacabana. O disco não teve grande repercussão, e ainda teve problemas devido a uma suposta apologia ao uso de drogas na música “Talismã”. Depois dessa experiência, a dupla pensou até em desistir da carreira musical. O Quinteto Violado lança seu primeiro disco no mesmo ano, com boa repercussão. O sucesso do grupo fez surgiremgrupos semelhantes por todo país. Olheiros de gravadoras eram mandados para o Recife com a incumbência de descobrirem o novo Quinteto Violado. Por sua vez, o Movimento Armorial abria seu espaço na música com a Orquestra Armorial e o Quinteto Armorial. Tanto violados quanto armoriais tinham uma ligação forte com a cultura popular, mas os primeiros buscavam uma linguagem urbana, longe das aspirações eruditas dos armoriais. A música, inclusive, foi a vertente menos influente do Movimento Armorial. No final do mesmo ano de 1972, mais precisamente no dia 11 de novembro, a I Feira Experimental de Música acontecia em Nova Jerusalém. O evento ficou conhecido como o “woodstock nordestino” e deflagrou os anos do desbunde na cena musical de Pernambuco. Essa geração dos anos de 1970, parecia ter absorvido a rebeldia dos tropicalistas dos anos anteriores, mas não estavam muito interessados em polêmicas e discussões intelectuais. Estavam mais afim de tirar um som. Lula Côrtes e Lailson gravam e lançam de maneira independente o disco Satwa, em 1973. O trabalho é considerado o marco inicial da música independente no Brasil. No mesmo ano, é com o mesmo sistema independente, é lançado os disco Marconi Notaro no Sub Reino dos Metazoários, que contou com a participação de Robertinho do Recife e Zé Ramalho, em seu primeiro registro fonográfico. Uma das bandas mais importantes surgidas no Recife, o Ave Sangria, chegava ao disco em 1974. A Ave Sangria foi um dos poucos nomes da cena Recifense daquela época a extrapolar as fronteiras do Estado. Foram contratados pela Continental com a ajuda do empresário dos Novos Baianos. Mas no final do mesmo ano, a banda encerrava suas atividades. Em 1975, outro lançamento importante daquela geração foi Paêbiru – o caminho da montanha do Sol, de Lula Côrtes e Zé Ramalho. O disco se tornou lendário. Em 1976, é lançado o álbum Vivo, de Alceu, espécie de síntese dos anos do desbunde recifense. No mesmo ano, Geraldo Azevedo apareceria com seu primeiro trabalho solo, retomando o trabalho da MPB pernambucana dos anos de 1960. Depois de abandonar a banda de Alceu Valença, Ivinho, ex-guitarrista do Ave Sangria, é escalado para se apresentar na edição de 1978 do renomado Mountreux International Jazz Festival. Sua participação foi registrada em disco lançado pela multinacional WEA, no mesmo ano. A Fábrica de Discos Rozenblit, já não começara a década nos seus melhores momentos e volta a sofrer um novo prejuízo com a grande cheia que atingiu o Recife em 1975. A água chegou acima dos dois metros na fábrica, causando danos irreparáveis. O mercado fonográfico já passava por dificuldades devido à crise do petróleo que fizera subir o preço da matéria-prima dos discos, o vinil. Ainda naquela época, o mercado brasileiro chamava a atenção de grandes multinacionais que começaram a se instalar no país. O espaço para uma gravadora pequena e de alcance regional como a Rozenblit diminuía ainda mais. E mais uma grande cheia, em 1977, cobre a fábrica com suas águas enlameadas. O frevo ia perdendo uma de suas maiores defensoras, ao mesmo tempo que surgia um novo impulso renovador do gênero. Em 1979 é lançado o primeiro disco da série Asas da América, produzida por Carlos Fernando. Depois dos momentos difíceis enfrentados por sua passagem pelo sudeste, Fernando havia voltado ao Recife e idealizara o projeto como forma de modernizar o ritmo carnavalesco. Nelson Ferreira, um dos seus maiores compositores, morrera poucos anos antes, em 1976.

década de 1960

Os anos de 1960 foram um momento de grandes inovações e rupturas na música popular brasileira. A começar com a chegada do movimento da bossa nova, baseado principalmente no Rio de Janeiro. Em Pernambuco acontecia outra renovação musical, que tinha como base o violão dissonante de Geraldo Azevedo, que chegara à capital pernambucana por volta de 1963. Com uma postura mais engajada e a utilização de elementos regionais, a chamada bossa nova pernambucana, não chegou a constituir um movimento, como sua contraparte carioca, mas mobilizou artistas de diversas áreas como cinema, teatro e musica. A juventude universitária da época tornou-se o público fiel daquela movimentação cultural, que teve como um dos seus marcos a fundação, em 1962, da Universidade de Samba Boêmios do Sítio Novo. Idealizada por Jomard Muniz de Brito, a Universidade abrigou um jovem Naná Vasconcelos, que ali desenvolveu sua aptidão musical. A exceção de Teca Calazans, que obteve relativa popularidade, a riqueza musical que girou em torno dessa versão regional da bossa nova não chegou a ser registrada. Mesmo a Rozenblit ignorou quase totalmente a novidade, em benefício da tradição musical e da cultura popular do Estado. Teca teve um único compacto lançado em 1967 pelo selo Mocambo. A Rozenblit continuava a ir bem. Por um lado ampliava sua atuação em outras áreas musicais, lançando discos de nomes da MPB, como Jorge Ben e MPB-4, além do disco com as finalista do II Festival da Música Popular Brasileira. Por outro seguia apostando em discos de frevo e de música junina, produtos que tinha pico de venda apenas nas festas de Carnaval e São João, respectivamente. Mas o raio de ação de empresas regionais iria se tornar cada vez menor com o fortalecimento das TVs no eixo Rio-São Paulo, que atraiam artistas de todos os Estados, com promessa de estrelato. O declínio da gravadora começou a ser selado com a cheia de 1966 que rendeu o primeiro grande prejuízo à empresa. Recife começava a pagar o preço do seu crescimento desordenado, e o desfecho que a Rozenblit teria nos próximos anos reflete bem este fato. O baião entrou em declínio com o surgimento da chamada MPB que passaria a ser a música de uma nova classe-média “esclarecida”, juntamente com a Jovem Guarda que ajudaria a rotular de antiquada a música tão popular em anos anteriores. Em 1968, discos de forró eram produzidos apenas por gravadoras especializadas, em nada lembrando o grande sucesso de vendas que representou até o início daquela década. O frevo cada vez mais ia se restringindo ao carnaval, passando a ser pouco executada nas rádios locais. Nelson Ferreira encerra sua carreira radiofônida em 1967, passando a se dedicar mais ao trabalho de diretor artístico da Rozenblit, mas continua a compor. No mesmo ano, lançaria dois frevos em ritmo de iê iê iê para “acompanhar a evolução da música moderna”. A influência de elementos estrangeiros na música brasileira pautaria a polêmica em torno do Tropicalismo, movimento surgido em São Paulo, que teve como figuras centrais os baianos Caetano Veloso e Gilberto Gil. Pernambuco teria uma influência importante naquele movimento. Em viagem para divulgar seu primeiro disco, lançado em 1966, Gilberto Gil veio a Pernambuco. Tendo ouvido pela primeira vez a Banda de Pífano de Caruaru, ficou impressionado com a música dissonante do grupo. Era essa musicalidade que o baiano buscava para juntar com elementos do pop que surgia naquela época com a musicalidade brasileira. Quase que simultaneamente, surge um Movimento Tropicalista pelas mãos de artistas de Pernambuco, Paraíba e Rio Grande do Norte. O 1º Manifesto Tropicalista Nordestino foi lançado em 19 de abril de 1968. A vertente musical deste movimento teve na banda Laboratório de Sons Estranhos, formada por Aristides Guimarães, sua representante mais radical. A banda fez shows antológicos, inclusive no tradicional Teatro Santa Isabel.

década de 1950

No início da década de 1950, o ciclo do baião na música popular brasileira encontrava seu auge. Depois das bases fundamentais lançadas por Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, cantores e compositores de outras áreas aderem ao ritmo nordestino. Ao longo do ano de 1950, o Rei do Baião, chegou a gravar nada menos do que vinte composições, entre elas “Qui Nem Jiló”, outro clássico da sua parceria com Teixeira. Considerada uma das melhores da dupla, a composição chamou atenção por ter uma melodia mais elaborada. “Paraíba”, outra música da dupla também marcaria aquele ano, na voz de Emilinha Borba. Mesmo com tanto sucessos, a parceria Gonzaga-Teixeira chega ao fim já nos anos seguintes. A separação se dá por um motivo burocrático: a ida de Luiz Gonzaga para outra associação de compositores. Naquela época era proibida a colaboração entre os associados de entidades diferentes. Zé Dantas se tornaria o principal parceiro de Gonzagão a partir de então. Humberto Teixeira também continuaria sua carreira de compositor, sua colaboração com Sivuca em “Adeus Maria Fulô” teve uma boa repercussão em 1951. O nome de Jackson do Pandeiro começava a surgir nacionalmente, a música “Sebastiana” projetaria seu nome em 1953. A primeira execução seria em um programa de auditório da Rádio Jornal do Commércio, de onde o cantor era um dos contratados. No ano seguinte, voltaria a estourar nacionalmente com o coco “Um a Um”, de Edgar Ferreira. Em 1950, Nelson Ferreira lança “Gostosão”, que foi considerado um marco na evolução do frevo-de-rua, estilo que ele mesmo ajudou a definir. Em 1953, Ferreira teria uma composição sua, “Como e Dorme”, gravado no primeiro 78 rpm lançado pela Rozenblit. O disco foi gravado nos estúdios da Rádio Clube e no outro lado trazia o frevo-canção “Boneca”, de José Menezes e Ademar Paiva, cantado por Claudionor Germano. A prensagem ficou a cargo da fábrica carioca Sinter. Lançado pelo selo Mocambo, o disco teve todas as suas três mil cópias vendidas, e poderia ter vendido mais se a empresa do Rio de Janeiro não tivesse se negado a fazer uma nova tiragem. Com a experiência bem sucedida e ao mesmo tempo frustrante, José Rozenblit encontrou motivação para entrar de vez no mercado fonográfico. Em 11 de junho de 1954 era inaugurada a Fábrica de Discos Rozenblit, que além das prensas de discos, também tinha seu próprio parque gráfico e estúdio de gravação. Além de contar com duas importantes emissoras de rádio, Recife passava a contar com a força de uma gravadora atuante, que conquistava seu espaço com base no mercado regional. Assim, o frevo passou a ser registrado em fonogramas de uma forma mais cuidadosa, o que contribuiu para aumentar sua popularidade regional. O ápice dessa cadeia de gravação e distribuição de discos de frevo implementada pela Rozenblit culminou em 1957 com o sucesso nacional de “Evocação nº 1”, de Nelson Ferreira. Lançada sem pretensões como parte do catalogo do selo Mocambo, a música desbancou as composições carnavalescas do eixo Rio-São Paulo. Outro marca da influência do frevo além das fronteiras pernambucanas é a passagem do Clube Carnavalesco Vassourinhas pela Bahia, em 1951. A agremiação fazia uma viagem rumo ao Rio de Janeiro. Em uma escala, o bloco aporta em Salvador e segue em cortejo pela avenida Sete de Setembro. A repercussão do desfile foi tamanha que resultou na criação do trio-elétrico que modificaria o perfil da folia na capital baiana. Sem grandes repercussões na sua terra natal, um pernambucano tem um lugar de destaque na renovação harmônica da música popular brasileira. Moacir Santos com seus arranjos inovadores ajudou a pavimentar o caminho que levaria ao surgimento da bossa nova. Foi parceiro de Vinícius de Morais, que lhe prestou homenagem na canção “Samba da Benção”, e professor de músicos como Baden Powell, Paulo Moura, João Donato, Nara Leão, Roberto Menescal, Sérgio Mendes, entre outros.

década de 1940

Em 1941, já radicado no Rio de Janeiro, Luiz Gonzaga dá o primeiro passo daquela que seria uma das carreiras fonográficas mais bem sucedidas no Brasil, em todos os tempos. No dia 14 de maio daquele ano ele gravava, nos estúdios da RCA-Victor, seu primeiro disco. “Véspera de São João” e “Numa Seresta”, as duas músicas registradas na sessão, tiveram relativo sucesso. Nada comparado com o sucesso que viria cinco anos mais tarde com o lançamento de “Baião”, uma introdução didática do ritmo do sertão nordestino nos meios urbanos do sudeste e, conseqüentemente, de todo Brasil. A composição foi uma das primeiras parcerias do Rei do Baião com Humberto Teixeira. Dentre as pérolas compostas pela dupla, pelo menos uma obra-prima, “Asa Branca”. Adaptada de uma cantiga popular que o menino Luiz Gonzaga conheceu através da sanfona do seu pai, a música só foi gravada para atender ao pedido de uma comadre. Gonzaga e Teixeira trabalharam na letra, e o último também fez significativas modificações na melodia, tornando “Asa Branca” um clássico da canção popular brasileira. Lançada em 1947, a música foi um grande sucesso, sendo reconhecida e gravada internacionalmente, inclusive como peça de concerto. No mesmo ano, outras composições como “Dezessete e Setecentos”, “No meu pé de serra” e “Vou prá Roçá” também se destacaram. Outro grande sucesso nacional naquela década foi “Maria Betânia”, de Capiba. Composta em 1943 para a peça de teatro “Senhora de Engenho”. Em 1944, de passagem pelo Recife o cantor Nelson Gonçalves, bastante popular naquela época, cantou a música em uma emissora de rádio local. A música acabou sendo gravada por insistência de um comerciante pernambucano, que se comprometeu com a gravadora RCA a comprar uma tiragem de duzentos discos. No ano seguinte, a música estoura e Capiba tem seu primeiro grande sucesso. Uma curiosidade ligada à música foi a popularização do nome Maria Betânia, inclusive a cantora que foi batizada assim por sugestão do seu irmão Caetano Veloso, admirador da canção. No Recife, a Rádio Jornal do Commércio era fundada no dia 4 de julho de 1948, considerada então o equivalente nordestino da Rádio Nacional, por manter um cast invejável de cantores, arranjadores e músicos contratados. No ano seguinte, Claudionor Germano deixa o conjunto vocal Azes do Ritmo, e inicia sua carreira solo ao ser contratado pela nova emissora. O frevo ganhava assim o seu maior interprete. Em 1947 morria no Rio de Janeiro o violonista e compositor João Pernambuco. No mesmo período, o músico Moacir Santos se muda para a capital fluminense, onde trabalharia na Radio Nacional. Ambos nomes importantes da música brasileira e ainda hoje pouco reconhecidos em sua terra natal. A década também marcou o nascimento de Dominguinhos, em Garanhuns no ano de 1941; Nana Vasconcelos, na capital pernambucana, em 1944, Geraldo Azevedo, em Jatobá, 1945 e Alceu Valença, em São Bento do Uma, 1946.

década de 1930

Em 1930, enfim Capiba vem para o Recife. Após passar parte da juventude em Capina Grande, na Paraíba, ele chega à capital pernambucana no dia 15 de setembro, para trabalhar no Banco do Brasil. A dificuldade de se manter apenas como compositor foi algo presente na carreira de Capiba, que teve seu sustento garantido fora da atividade musical. Diferente de Nelson Ferreira, que em 1931 começa uma longa carreira na radiodifusão, começando na Rádio Clube. No Rio de Janeiro, Lamartine Babo lança a marchinha campeã do carnaval de 1932, “O Teu Cabelo Não Nega”. Uma certa polêmica gira em torno dessa que ainda é uma das mais populares músicas de carnaval. Naquela época, não havia nenhuma gravadora na região, os frevos eram registrados por empresas sediadas no Rio de Janeiro, interessadas no mercado fonográfico de Pernambuco. Aconteciam anualmente concursos que escolhiam quais músicas seriam registradas em discos para virarem sucessos carnavalescos. Assim, muitas partituras eram remetidas para o Rio de Janeiro, onde músicos e arranjadores, pouco acostumados com o ritmo pernambucano trabalhavam nas gravações. Uma dessas partituras era intitulada “Mulata”, composição dos irmãos Raul e João Valença, que foi transformada em marchinha. Lamartine Babo, havia modificado o arranjo e adaptado a letra, dando-lhe um quê de carioca. Mais tarde os Irmãos Valença foram reconhecidos como co-autores da marchinha. Nascem em Recife dois nomes da música brasileira que fariam sucesso vivendo longe da capital pernambucana: o instrumentista Valter Wanderley, em 1932, e o cantor Bezerra da Silva, em 1938. Destaca-se também o nascimento de Marlos Nobre, em 1939.

década de 1920

No final dos anos de 1920, dois grandes compositores pernambucanos dão início a suas promissoras carreiras. No mesmo ano de 1929, Capiba e Nelson Ferreira ganham os primeiros reconhecimentos com suas obras. A música “Flor das Ingratas”, composição de Capiba em parceria com um amigo, é a grande vencedora de um concurso realizado pela revista carioca Vida Doméstica. Por sua vez, Nelson Ferreira foi o vencedor do concurso de música carnavalesca de Recife daquele ano com a música “Não Puxa Maroca”. A década já havia testemunhado a inauguração da Rádio Clube de Pernambuco, uma das primeiras do Brasil. Existe uma controvérsia com relação à data da fundação. alguns estudiosos afirma que se deu no dia 17 de outubro de 1923, seis meses antes da Rádio Sociedade do Rio de Janeiro, considerada a primeira emissora brasileira. Por outro lado, o pesquisador Luís Maranhão Filho aponta que a inauguração da Rádio Clube teria acontecido em 1922, seis meses antes da emissora carioca. Polêmicas a parte, o fato é que a emissora ajudou a movimentar a cena musical do Recife. Em 1921, Vitória do Santo Antão vê o nascimento de Ademilde Fonseca, que ficaria famosa com a primeira gravação de “Tico-Tico no Fubá”. No mesmo ano, nasciam os compositores Zé Dantas e Antonio Maria, em Carnaíba e Recife, respectivamente. Em 1923 nascem no Recife o cantor Orlando Silva e o compositor Luís Bandeira. No ano seguinte, nasce, em Serra Talhada, Moacir Santos.

década de 1910

“Luar do Sertão” se tornava, em 1914, um grande sucesso nacional, e uma das canções mais populares da música brasileira de todos os tempos. A composição é creditada apenas ao poeta Catulo da Paixão Cearense, que muitos historiadores acreditam ter sido autor da letra. João Pernambuco, violonista pernambucano radicado no Rio de Janeiro, seria o criador da melodia, a partir de um tema folclórico. A autoria de João Pernambuco nunca foi reconhecida legalmente, mas contou com defensores importantes como Heitor Villa-Lobos e Henrique Fôreis Domingues, o Almirante. Dois anos antes do lançamento de “Luar do Sertão”, nasce no sertão pernambucano, mais precisamente na cidade de Exu, Luiz Gonzaga do Nascimento, que se tornaria um dos grandes nomes da música brasileira. Na Paraíba, nasce José Gomes Filho, que mais tarde daria início a sua carreira musical vindo para o Recife e ficando conhecido como Jackson do Pandeiro.

década de 1900

A primeira década do século XX assiste ao surgimento do frevo, ritmo genuinamente pernambucano. A palavra “frevo” toma forma a partir de um artigo publicado no Jornal Pequeno do dia 09 de fevereiro de 1907. A origem rítmica remonta ao final do século XIX, em uma mescla de elementos de vários gêneros musicais ouvidos naquela época: maxixe, polca, dobrado, modinha e quadrilha. As características mais marcantes do frevo aparecem em uma composição de Capitão Zuzinha, regente da banda do 40º Batalhão de Infantaria do Recife, composição essa que mais tarde foi batizada "Divisor de Águas". A "Marcha Nº 1 de Vassourinha", ou simplesmente “Vassourinhas”, um dos frevos mais célebres, foi composta em 1909 por Matias Rocha e Joana Batista. Coincidentemente, é nesta década que nascem dois dos mais importantes compositores pernambucanos, ambos dariam grande contribuição ao gênero musical.: Nelson Ferreira, em Bonito, no ano de 1902., e Lourenço da Fonseca Barbosa (Capiba), em Surubim, em 1904.
 

Prefeitura do Recife - Av. Cais do Apolo, 925 | Bairro do Recife, Recife / PE - CEP: 50030-903 | Tel/PABX: 3232-8000